Arquivo da categoria: permacultura

A Casa do Alto

Padrão
                                                              “Recriar a vida com preceitos mais dignos no que é essencial (…) alcançar outros níveis e padrões, e passar cada vez mais a enxergar o que é pequeno, em seu sentido mais amplo” –  Amanto

 

A Casa do Alto não defende, nem luta por uma postura de “combate” nem por uma causa específica ou setorizada, nem por qualquer coisa, alias, mas procura, por outro lado, viver na prática um “testemunho de síntese” do que acreditam e querem ver realizado primeiramente para sí e, por esse meio, no mundo. Querem garantir apenas um “exemplo” por mais pontual que seja a ser adaptado num eventual processo espontâneo de generalização, um modelo a ser adotado por outros indivíduos e grupos, em algum lugar, dando origem a uma rede por afinidades “transformando” o mundo.

Diríamos que a Casa do Alto incorpora uma postura pacifista da não violência. Reúne indivíduos combativos, sim, mas não só em termos de mundo externo e do universo do TER, mas no mundo interno, nos domínios do autoconhecimento de si mesmos, no âmbito dos domínios do SER.

Casa do Alto

Poderíamos dizer que a Casa do Alto trata da inclusão do indivíduo no mundo do SER, da SUSTENTABILIDADE DO SER (ecologia profunda), como maneira de mobilizar uma sociedade justa e harmoniosa verdadeiramente avançada, ecológica e visceralmente pacifista no mundo do TER.

Mais do que simplesmente acreditam, a Casa do Alto vive numa escala crescente, a idéia de que a realidade externa é um “espelho” de como estão os indivíduos em si diante de si mesmos, razão pela qual optaram por não mais lutarem contra os “moinhos de vento” de Cervantes, ou os espectros de sí mesmo e passam a trabalhar realmente as causas e não apenas as consequências de tudo isso que vemos por aí.

De um modo geral, a Casa do Alto entende que grande parte dos quais o mundo moderno convive decorre não só do modelo ou

sistema vigente e que, naturalmente, impõe e defende seus paradigmas na luta por sua sobrevivência como de resto faz ou faria qualquer organismo. Entende que o mundo ou a nossa civilização vive, em realidade um “crise de percepção”, até por continuar a achar, na sua compartimentada visão de mundo e realidade marcado por uma cultura cosmogônica simplesmente organizada, que as soluções virão quando cada peça do quebra cabeça for consertado. É uma maneira prática que estamos procurando operacionalizar cada vez mais para que todos possam cooperar efetivamente, enquanto nos mantemos mobilizados e conscientes de nossa potencialidade e do acervo de bens, recursos, conhecimentos e grau de mobilização que possuímos para a execução de nossos objetivos.

Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir

Padrão

Há muitos anos, venho trabalhando sobre a crise de civilização que se abateu perigosamente sobre a humanidade. Não me contentei com a análise estrutural de suas causas, mas, através de inúmeros escritos, tratei de trabalhar positivamente as saidas possíveis em termos de valores e princípios que confiram real sustentatibilidade ao mundo que deverá vir. Ajudou-me muito, minha participação na elaboração da Carta da Terra, a meu ver, um dos documentos mais inspiradores para a presente crise. Esta afirma:”o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração.

Canteiro de Pneus

Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”. Dois valores, entre outros, considero axiais, para esse novo começo: a sustentabilidade e o cuidado. A sustentabilidade, significa o uso racional dos recursos escassos da Terra, sem prejudicar o capital natural, mantido em condições de sua reprodução, em vista ainda ao atendimento das necessidades das gerações futuras que também têm direito a um planeta habitável. Trata-se de uma diligência que envolve um tipo de economia respeitadora dos limites de cada ecossistema e da própria Terra, de uma sociedade que busca a equidade e a justiça social mundial e de um meio ambiente suficientemente preservado para atender as demandas humanas. Como se pode inferir, a sustentabilidadae alcança a sociedade, a política, a cultura, a arte, a natureza, o planeta e a vida de cada pessoa. Fundamentalmente importa garantir as condições físico-químicas e ecológicas que sustentam a produção e a reprodução da vida e da civilização. O que, na verdade, estamos constatando, com clareza crescente, é que o nosso estilo de vida, hoje mundializado, não possui suficiente sustentabildade. É demasiado hostil à vida e deixa de fora grande parte da humanidade. Reina uma perversa injustiça social mundial com suas terríveis sequelas, fato geralmente esquecido quando se aborda o tema do aquecimento global. A outra categoria, tão importante quanto a da sustentabilidade, é o cuidado, sobre o qual temos escrito vários estudos. O cuidado representa uma relação amorosa, respeitosa e não agressiva para com a realidade e por isso não destrutiva. Ela pressupõe que os seres humanos são parte da natureza e membros da comunidade biótica e cósmica com a responsabilidade de protege-la, regenerá-la e cuidá-la. Mais que uma técnica, o cuidado é uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os humanos. Se a sustentabilidade representa o lado mais objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota mais seu lado subjetivo: as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo sem os quais a própria sustentabilidade não acontece ou não se garante a médio e longo prazo. Sustentabilidade e cuidado devem ser assumidos conjutamente para impedir que a crise se transforme em tragédia e para conferir eficácia às praticas que visam a fundar um novo paradigma de convivência ser-humano-vida-Terra. A crise atual, com as severas ameaças que globalmente pesam sobre todos, coloca uma improstergável indagação filosófica: que tipo de seres somos, ora capazes de depredar a natureza e de por em risco a própria sobrevivência como espécie e ora de cuidar e de responsabilizar-nos pelo futuro comum? Qual, enfim, é nosso lugar na Terra e qual é a nossa missão? Não seria a de sermos os guardiães e e os cuidadores dessa herança sagrada que o Universo e Deus nos entregaram que é esse Planeta, vivo, que se autoregula, de cujo útero todos nós nascemos? É aqui que, novamente, se recorre ao cuidado como uma possível definição operativa e essencial do ser humano. Ele inclui um certo modo de estar-no-mundo-com-os-outros e uma determinada práxis, preservadora da natureza. Não sem razão, uma tradição filosófica que nos vem da antiguidade e que culmina em Heidegger e em Winnicott defina a natureza do ser humano como um ser de cuidado. Sem o cuidado essencial ele não estaria aqui nem o mundo que o rodeia. Sustentabilidade e cuidado, juntos, nos mostram um caminho a seguir.

Leonardo Boff Teólogo/Filósofo

Sistemas Agroflorestais e Agrofloresta

Padrão

Muitas vezes conhecemos e observamos as propriedades rurais a partir de uma clara divisão de ambientes distintos. Assim, em uma fazenda ou sítio, além de visualizarmos as construções, que envolvem as casas, galpões, viveiros, galinheiros, pocilgas, estábulos, currais, cercas, entre outros, também claramente identificamos as divisões do uso da terra em pasto, horta, pomar, bananeiral, roça de plantio, área de reflorestamento, reserva florestal, entre outros, além dos açudes, lagos, nascentes e riachos. No modelo de agricultura convencional, cada espécie de planta cultivada ou silvestre geralmente fica confinada aos usos de um ou mais dos ambientes citados acima. Assim, em geral o milho vai na roça de plantio, mas não vai no pomar, a árvore de madeira de lei não vai na horta e a bananeira não vai na reserva florestal. Com sistemas agroflorestais, e mais especificamente com a agrofloresta, isso fica um pouco diferente.

Sistema Agroflorestal

O termo Sistemas Agroflorestais (SAFs) é bem abrangente e envolve “formas de uso e manejo da terra, nas quais árvores ou arbustos são utilizados em associação com cultivos agrícolas e/ou com animais, numa mesma área, de maneira simultânea ou numa seqüência temporal” (DUBOIS, 1996). Com isso, a inserção do elemento “árvore” nos cultivos agrícolas ou em meio às criações animais de certo modo já representa Sistemas Agroflorestais. Estes passam então a ser classificado de diversas maneiras. Quanto aos elementos, os SAFs classificam-se em Agrossilviculturais (espécies agrícolas anuais + árvores), Silvopastoris (árvores + criações animais) ou Agrossilvopastoris (espécies agrícolas anuais + árvores + criações animais).

Quanto à estrutura espacial e temporal, os SAFs ainda classificam-se em Consórcios Florestais (plantio de poucas espécies de árvores, geralmente em linhas, em meio a pastos ou a cultivos de espécies agrícolas anuías), Quintais Agroflorestais ou Quintais Produtivos (árvores, geralmente fruteiras para fornecimento de alimentos, plantadas nas proximidades das residências de maneira mais densa ou mais espaçada, como nos pomares), Cercas Vivas (uso de árvores para delimitar áreas, geralmente linhas adensadas de espécies com densa folhagem ou com espinhos), Quebra-Ventos (parecido com as cercas vivas, porém com propósito específico de diminuir a força e velocidade do vento), Curvas de Contenção (linhas de árvores plantadas em curvas de nível, com propósito de conter erosão do solo) ou Agrofloresta (plantio mais denso de espécies cultivadas anuais e florestais junto com espécies silvestres, seguindo um padrão que imita a sucessão natural das florestas nativas do lugar). Todas essas modalidades de SAFs podem ser utilizadas, e geralmente são, nos designs permaculturais.

Mas por que inserir árvores nas cercas, no meio da pastagem ou da roça de plantio? Os elementos arbóreos e arbustivos estão presentes na maior parte dos ecossistemas naturais terrestres, sobretudo nos tropicais. Árvores nos sistemas vivos cultivados aproximam sua estrutura daquela dos sistemas naturais, aumentando sua estabilidade. Além disso, as árvores protegem o solo das forças erosivas da natureza, abrigam boa parte da fauna silvestre, estocam e reciclam carbono, energia (nas ligações entre carbonos) e nutrientes minerais importantes para a regulação climática e para sustentabilidade e produção de qualquer sistema vivo, seja ele natural ou cultivado. Esse estoque é também de recursos que podem ser diretamente convertidos em divisas, como madeira, por exemplo. Madeiras de lei nas propriedades rurais são como uma “caderneta de poupança” natural para o agricultor, lembrando-se, claro, nesse caso, de que se deve sempre plantar e cultivar mais árvores do que se pretende cortar um dia.

Ufa! Mas, esse negócio de árvores no meio das lavouras e dos bichos está ficando um troço complicado! Sim e não ao mesmo tempo. Sim porque o cultivo e/ou a criação de espécies diferentes de plantas e animais no mesmo espaço torna a área de produção mais complexa. Não, porque essa inserção das árvores pode ser feita de maneira simples, ou seja, pode ficar mais complexo, mas não necessariamente vai ser mais complicado. É uma questão de conhecer e praticar o manejo dos SAFs, com o tempo passa a ser como andar de bicicleta.

Mario Eduardo Fraga da Silva
Eng. Agrônomo, Ecólogo
Permacultor e Agrofloresteiro

(Texto extraído do Site do IPC http://www.permaculturaceara.org/pt/textos/37-sistemas-agroflorestais-e-agrofloresta )

A Casa do Alto participa da Semana do meio ambiente do SESC – Crato

Padrão

Cartaz da Semana do Meio Ambiente

A Oficina Casa do Alto marcou presença na III Semana SESC de Conscientização Ambiental, que tem como tema: Meio Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento, e será realizado de 18 à 20 de Maio de 2011. O pessoal da Casa produziu Kits para serem distribuídos entre os participantes. Os kits são formados por uma sacola contendo um saquinho com composto orgânico e sementes de flores do campo. Mantendo o compromisso de gerar e incentivar a sustentabilidade, todos os elementos que

Sacolinhas do Kit

compõe o kit é feito de material reutilizado. As sacolinhas são feitas artesanalmente com papel doado pela gráfica Carimbos União em Juazeiro. O papel é de sobras de outros trabalhos que muitas vezes vão para no lixo.  Os saquinhos de composto são dos pacotinhos de 1k de arroz. O composto é produzido a partir do lixo orgânico da Casa que é processado até ficar no ponto. As sementes são obtidas no nosso jardim, após colhidas são armazenadas no banco de sementes.  Essa ação é  parte do GIRAE – Gestão Integrada de Resíduos, Águas e Espaços uma iniciativa do Grupo de Trabalho Sustentabilidade da Casa do Alto. Uma solução integrativa com práticas socioculturais e ambientais conjuntamente com os moradores, visitantes e interessados no processo.

Quem é a Casa do Alto

Padrão

Oficina Casa do Alto…

O que é?

Organização não governamental que pensa, promove, realiza e articula atividades e ações socioculturais e ambientais com o fim de gerar autonomia e desenvolvimento humano. Finalidade A Associação Oficina Casa do Alto, tem por finalidade promover o bem estar e a ligação do homem com uma nova forma de vida, forma essa que possibilite uma relação de proteção e intimidade com o meio, em que vivem, proporcionando-lhes conhecimento e compreensão de si e das atividades desempenhadas.