Arquivo mensal: junho 2011

Sistemas Agroflorestais e Agrofloresta

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Muitas vezes conhecemos e observamos as propriedades rurais a partir de uma clara divisão de ambientes distintos. Assim, em uma fazenda ou sítio, além de visualizarmos as construções, que envolvem as casas, galpões, viveiros, galinheiros, pocilgas, estábulos, currais, cercas, entre outros, também claramente identificamos as divisões do uso da terra em pasto, horta, pomar, bananeiral, roça de plantio, área de reflorestamento, reserva florestal, entre outros, além dos açudes, lagos, nascentes e riachos. No modelo de agricultura convencional, cada espécie de planta cultivada ou silvestre geralmente fica confinada aos usos de um ou mais dos ambientes citados acima. Assim, em geral o milho vai na roça de plantio, mas não vai no pomar, a árvore de madeira de lei não vai na horta e a bananeira não vai na reserva florestal. Com sistemas agroflorestais, e mais especificamente com a agrofloresta, isso fica um pouco diferente.

Sistema Agroflorestal

O termo Sistemas Agroflorestais (SAFs) é bem abrangente e envolve “formas de uso e manejo da terra, nas quais árvores ou arbustos são utilizados em associação com cultivos agrícolas e/ou com animais, numa mesma área, de maneira simultânea ou numa seqüência temporal” (DUBOIS, 1996). Com isso, a inserção do elemento “árvore” nos cultivos agrícolas ou em meio às criações animais de certo modo já representa Sistemas Agroflorestais. Estes passam então a ser classificado de diversas maneiras. Quanto aos elementos, os SAFs classificam-se em Agrossilviculturais (espécies agrícolas anuais + árvores), Silvopastoris (árvores + criações animais) ou Agrossilvopastoris (espécies agrícolas anuais + árvores + criações animais).

Quanto à estrutura espacial e temporal, os SAFs ainda classificam-se em Consórcios Florestais (plantio de poucas espécies de árvores, geralmente em linhas, em meio a pastos ou a cultivos de espécies agrícolas anuías), Quintais Agroflorestais ou Quintais Produtivos (árvores, geralmente fruteiras para fornecimento de alimentos, plantadas nas proximidades das residências de maneira mais densa ou mais espaçada, como nos pomares), Cercas Vivas (uso de árvores para delimitar áreas, geralmente linhas adensadas de espécies com densa folhagem ou com espinhos), Quebra-Ventos (parecido com as cercas vivas, porém com propósito específico de diminuir a força e velocidade do vento), Curvas de Contenção (linhas de árvores plantadas em curvas de nível, com propósito de conter erosão do solo) ou Agrofloresta (plantio mais denso de espécies cultivadas anuais e florestais junto com espécies silvestres, seguindo um padrão que imita a sucessão natural das florestas nativas do lugar). Todas essas modalidades de SAFs podem ser utilizadas, e geralmente são, nos designs permaculturais.

Mas por que inserir árvores nas cercas, no meio da pastagem ou da roça de plantio? Os elementos arbóreos e arbustivos estão presentes na maior parte dos ecossistemas naturais terrestres, sobretudo nos tropicais. Árvores nos sistemas vivos cultivados aproximam sua estrutura daquela dos sistemas naturais, aumentando sua estabilidade. Além disso, as árvores protegem o solo das forças erosivas da natureza, abrigam boa parte da fauna silvestre, estocam e reciclam carbono, energia (nas ligações entre carbonos) e nutrientes minerais importantes para a regulação climática e para sustentabilidade e produção de qualquer sistema vivo, seja ele natural ou cultivado. Esse estoque é também de recursos que podem ser diretamente convertidos em divisas, como madeira, por exemplo. Madeiras de lei nas propriedades rurais são como uma “caderneta de poupança” natural para o agricultor, lembrando-se, claro, nesse caso, de que se deve sempre plantar e cultivar mais árvores do que se pretende cortar um dia.

Ufa! Mas, esse negócio de árvores no meio das lavouras e dos bichos está ficando um troço complicado! Sim e não ao mesmo tempo. Sim porque o cultivo e/ou a criação de espécies diferentes de plantas e animais no mesmo espaço torna a área de produção mais complexa. Não, porque essa inserção das árvores pode ser feita de maneira simples, ou seja, pode ficar mais complexo, mas não necessariamente vai ser mais complicado. É uma questão de conhecer e praticar o manejo dos SAFs, com o tempo passa a ser como andar de bicicleta.

Mario Eduardo Fraga da Silva
Eng. Agrônomo, Ecólogo
Permacultor e Agrofloresteiro

(Texto extraído do Site do IPC http://www.permaculturaceara.org/pt/textos/37-sistemas-agroflorestais-e-agrofloresta )

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Programação Cine Clube Zé Sozinho – Sessão Curumim / maio

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Dia 01/jun/011

08h Sessão Curumim: O MOLEQUE de Ari Candido Fernandes. SP, 2004, Ficção, colorido, 13 mim. Tião é pobre e negro, mas tem orgulho de sua mãe, a melhor lavadeira da região. Ele sai para pescar com Pedrinho, seu único amigo. Todos os outros moleques adoram lhe dar apelidos, por causa da cor de sua pele. Mas Tião não vai agüentar por muito tempo e prepara sua vingança.

Dia 08/jun/011

Títulos da Programadora

08h Sessão Curumim: TAINÁ-KAN, A GRANDE ESTRELA de Adriana Figueiredo. RJ, 2006, animação, colorido, 15 min. Segundo uma lenda karajá, Tainá-Kan, a grande estrela, vem à Terra por amor, na forma de um homem velho. A lenda explica o surgimento da agricultura para o povo karajá. Suas bonecas de cerâmica servem de inspiração para os personagens, e a trilha é composta de músicas típicas.

Dia 15/jun/011

08h Sessão Curumim: UMA JANGADA CHAMADA BRUNA de Petrus Cariry. CE, 2004, ficção, colorido, 13 min. A experiência do primeiro amor: Pedro tem 10 anos e se apaixona por Bruna, de 11 anos. Ambos são filhos de pescadores, vizinhos na mesma aldeia de praia do Ceará.

Local: Centro Cultural Raimundo de Oliveira Borges – (Caririaçu-CE)
Produção: Oficina Casa do Alto